(Editado do Elton Euler)
João e Maria são casados e têm um filho, o Juninho. Ele já vinha de um primeiro casamento, no qual chegou a morar na casa da sogra. No segundo casamento, com a Maria, em vários momentos foi bancado pelos pais dela e pelos próprios pais.
Em outras palavras: João é aquele perfil que eu chamo de “homem banana”: pouco protagonista, acomodado, empurrando a vida com a barriga e deixando que os outros segurem o peso que seria dele.
Do lado de um “homem banana”, quase sempre aparece a figura complementar: a “mulher guerreira”. Aquela que aguenta tudo, carrega tudo, segura tudo.
Mesmo sem saber tantos detalhes da Maria, o encaixe é óbvio: ela é quem sustenta, organiza, segura o caos e, sem perceber, mantém o João nesse lugar infantilizado.
Esse “encaixe ruim” funciona como uma engrenagem perfeita: quanto mais ele é banana, mais ela precisa ser guerreira.
Quanto mais ela é guerreira, menos ele é convocado a crescer.
E assim, os dois vão pagando caro para manter uma dinâmica que não serve a nenhum dos dois – nem ao filho.
Por anos, João e Maria viveram uma vida ruim, muitas vezes péssima. Relação confusa, papéis invertidos, referências tortas para o Juninho, dinheiro escasso, muitas brigas, poucas memórias boas.
E o detalhe mais importante: eles já sabiam que poderiam viver uma vida diferente.
Não era falta de informação. Era falta de postura e de decisão.
João já tinha percebido que sua postura estava errada, que o casamento não estava saudável, que seus resultados financeiros não condiziam com quem ele poderia ser como profissional. Ele estava no primeiro passo do PDA: Perceber. Faltavam os outros dois: Decidir e Agir.
E é aqui que entra aquilo que eu chamo de custo da indecisão.
Ele sabia que precisava mudar. Sabia o que precisava fazer. Mas não decidia. Ficava num lugar perigoso: ameaçava mudar sem mudar de fato.
“Testava” o divórcio: falava em separação, ensaiava conversas, imaginava sair de casa… e recuava. Toda vez que fazia isso, via a pior versão da Maria: descompensada, agressiva, ameaçando nunca deixá-lo conviver com o filho.
Ao invés de crescer para sair – ou crescer para ficar – ele se escondia atrás do medo: medo da reação dela, medo de ela piorar, medo de ela usar o filho para punir a decisão dele.
Na prática, João estava sustentando o próprio papel de banana: não era homem para ir embora de verdade, nem homem para melhorar de verdade para ficar.
Além dos conflitos na relação, havia um outro sinal muito forte: o teto invisível da vida do João.
Sempre que a sua vida ensaiava melhorar – especialmente no dinheiro – algo o puxava de volta:
• Quando começava a ganhar mais, cometia erros “bobos” no trabalho, tecnicamente incompatíveis com o excelente profissional que é.
• Em dias decisivos, adoecia.
• Quando apareciam boas oportunidades, surgiam imprevistos com o filho, com alguém da família, com despesas inesperadas.
É o que eu chamo de pré-quedas:
quedas estratégicas que acontecem antes do salto, para impedir que o salto de fato aconteça.
Mas, olhando com mais calma, fica claro que essas pré-quedas funcionam como um sistema de autoproteção e sabotagem ao mesmo tempo.
Porque, enquanto João se mantivesse pequeno, confuso, travado e dependente, ele não precisaria:
• assumir a própria grandeza profissional,
• ocupar o lugar de homem na relação,
• bancar uma decisão difícil (ficar melhor ou sair de verdade).
Os problemas dele tinham utilidade:
protegiamm-no da responsabilidade de crescer.
Esse é um ponto central deste estudo de caso: muitos problemas que você chama de “tragédia”, “azar” ou “carma” estão, na verdade, organizados para manter você abaixo de um certo teto financeiro e emocional.
Você até pode querer mais conscientemente, mas, se lá dentro você não se der Permissão para ter mais e ser mais, a vida vai dar um jeito de te puxar de volta.
Ele já tinha Percebido, mas ainda não tinha realmente Decidido.
Quem não decide, não age.
E quando age sem decidir, apenas finge que está agindo.
As ameaças de divórcio eram isso: tentativa de ação sem decisão.
A Maria via nos olhos dele que ele ainda era o mesmo.
Sabia que bastava continuar sendo a “guerreira de sempre” para manter tudo como estava.
(NA HISTORIA REAL DE JUAN, FOI ELA QUE CANSOU E SEPAROU, E SOZINHA TRIUNFOU VARIAS VEZES NA VIDA, MESMO ARCANDO SOZINHA COM O SUSTENTO DA PROLE.
E JUAN ... ACHOU OUTRAS MARIAS QUE O DEIXA-SE ACOMODADO COMO SEMPRE: NAMORADAS, PAPAI E MAMÃE, ETC)
Qualquer similitude com a realidade não é coincidência.